Mais um gancho do post anterior:
"Procure me amar quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso."
Essa frase merece várias interpretações. Vou focar aqui na relação pais/filhos.
Criar filhos é algo muito sério e complicado. Você tem nas mãos um livro em branco e tem a tarefa de ajudar o autor a se inspirar para começar a escrever uma história. Se você der um bom começo; o meio e o fim tendem a ser da mesma maneira. Cabe a você dar argumentos sólidos para o autor criar, com confiança e segurança, sua própria história.
Há algum argumento mais forte que o amor incondicional de uma mãe por um filho?
É esse amor desconcertante que é capaz de educar, de encaminhar, de apoiar a conduta moral de um indivíduo em formação.
Não me refiro aqui àquele amor louco, doentio, possessivo que algumas mães nutrem por seus rebentos. Aquele amor permissivo, que forma filhos egoístas, mesquinhos e cruéis.
Faço referência àquele amor da mãe que, ao invés de bater, conversa; ao invés de criticar, discute; ao invés de punir, faz pensar.
O momento que a criança (e me faz refletir também que, no fundo, toda pessoa) mais precisa de apoio e amor é quando erra, quando "não merece". Pois só o amor mais puro e verdadeiro é capaz de libertar a culpa e o peso do erro.
Pensei bastante sobre esse post durante o dia. E me elucidou bastante estar ouvindo as músicas do Padre Fábio de Melo. Não sou católica e nem pertenço a outra religião (acredito em Deus, mas não tenho religião), mas gosto muito de ouvir as palavras sábias na voz doce desse padre. Em especial, duas músicas me chamaram a atenção hoje. Posto aqui os trechos que mexeram comigo:
'O Caderno' é uma metáfora da vida. Quando erros cometidos eram demais eu me recordo que nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página. Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços. Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles a gente seguia um pouco mais crescido. O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos. Erros podem ser fontes de virtudes. Na vida é a mesma coisa: o erro tem que estar a serviço do aprendizado. Nenhum tem que ser fonte de culpas, de vergonhas. Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. Uma coisa é a gente se arrepender do que fez, outra coisa é a gente se sentir culpado. Culpas nos paralisam, arrependimentos não. Eles nos lançam pra frente, nos ajuda a corrigir os erros cometidos. (O Caderno - Toquinho, versão Padre Fábio de Melo)
Te tornas amigo do ladrão só pra lhe roubar o coração (Humano Demais - Padre Fábio de Melo)
E, pergunto de novo, há algo mais poderoso, mais pacificador, mais envolvente e bom de sentir e de despertar do que o AMOR?

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